Conheça um pouco sobre o Bioma Caatinga

A Caatinga é um bioma exclusivo do território brasileiro, de clima semiárido  e que está localizado no nordeste do país. A biodiversidade deste bioma se caracteriza pela vegetação resistente a longos períodos de seca. 

Infelizmente, a extração de lenha e o manejo inadequado do solo têm ameaçado a sua sustentabilidade,  no qual se calcula pouco mais de 40 mil Km² de devastação. A área de 850.000 km² ocupada pela Caatinga engloba partes dos estados da Paraíba, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Maranhão, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e parte do norte de Minas Gerais. Cerca de 11% do território nacional.

Umas das espécies mais características do bioma da Caatinga é o Mandacaru (nome científico: Cereus jamacaru) e que identifica a cultura nordestina. O cacto retém água em sua estrutura e por isso tem a capacidade de resistir ao clima semiárido. Seus espinhos favorecem o seu aproveitamento como cerca natural em propriedades e seu fruto é consumido por pássaros e abelhas.

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Mandacaru (Cereus jamacaru)
Foto: Valécia Estrela

Em 2015 o grupo de Geoprocessamento do Centro Regional do Nordeste (CRN) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em Natal (RN), divulgou um avanço no mapeamento sobre o desmatamento da Caatinga. Já foram registrados aproximadamente 90 mil Km² de extensão. Segundo o levantamento, até esse período 40% de Caatinga encontrava-se preservada e 45% estava degradada. Ainda se constatou 7,2% de Solo Exposto, 6,5% de lavoura e 0,7% de corpos d’água.

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Fonte: INPE-Nordeste

Entre as áreas mapeadas os Estados de Alagoas e Pernambuco são as mais desmatadas, enquanto no leste do Ceará e no oeste do Rio Grande do Norte predomina a Caatinga Preservada.

Planos e ações ambientais do Governo

O Governo Federal através do Ministério do Meio ambiente desenvolveu um plano de ação que visa promover um modelo de desenvolvimento sustentável para o bioma da Caatinga. No documento além de informações importantes sobre a característica do meio ambiente e as consequências do desmatamento, apresenta também propostas de ações para reduzir a degradação ambiental e os prejuízos ao ecossistema.
 

Para o Governo a realidade socioeconômica desse território exige mudanças que possam melhorar as condições sociais e econômicas da região que sofre com as desigualdades no Brasil. Segundo o Ministério do meio ambiente, em 2007 na região Nordeste, os moradores rurais representavam quase 50% de toda a população do campo brasileiro e, ao mesmo tempo, essa região apresentava os piores índices de desenvolvimento humano do País, com taxas elevadas de analfabetismo, níveis baixos de saneamento e a menor expectativa de vida.

O projeto NEXUS, promovido pelo Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) iniciou estudos em 2018, em áreas determinadas, que buscam criar alternativas sustentáveis para a Caatinga e Cerrado. O propósito é focar na análise das dimensões econômicas, sociais e ambientais das regiões para promover ações de sustentabilidades nos setores agrícolas, energéticos e de exploração dos recursos naturais.

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Ações sustentáveis da Reserva Olho D'água das Onças 

Entre as medidas de revitalização da Caatinga realizadas pela Reserva Ecológica Olho D'água das Onças está a possibilidade de investir no plantio de árvores e plantas nativas da região, que possuem características resistentes a períodos de pouca chuva e que podem ajudar no combate da desertificação.

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Umbuzeiro (Spondias tuberosa)
Foto: Valécia Estrela

O umbuzeiro (nome cientifico: Spondias tuberosa) por ser um exemplo de resistência climática, é uma espécie importante para fauna do Nordeste. A espécie tem a capacidade de armazenar água nas suas raízes e com isso supera longos períodos de seca. Assim é conhecida popularmente como árvore sagrada do sertão.

Outra alternativa proposta pela Gestão do meio ambiente é o uso sustentável dos recursos naturais no semiárido brasileiro. De acordo com o Ministério do meio ambiente a Caatinga dispõe de modelos já testados e com bons resultados para o manejo agrosilvopastoril, a integração do uso sustentável de produtos madeireiros e não-madeireiros e o manejo da vegetação para pecuária e agricultura.

Além disso a valorização dos produtos regionais e a criação de políticas públicas de financiamento de iniciativas sustentáveis, aliados à tecnologia sustentável e aos conhecimentos técnico científicos são outras propostas importantes para preservar a Caatinga e promover o desenvolvimento ambiental do bioma.

A espécie de arvore Sabiá é mais um exemplo de planta nativa do Nordeste. O bioma da Caatinga contribui para a biodiversidade das suas espécies. E assim, muitas delas sobrevivem em climas secos. A madeira dessa árvore é bastante utilizada como lenha de carvão, além de ser aproveitada como estaca de cercas por ser resistente e chegar até 8 metros de altura.

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Árvore Sabiá
Foto: Valécia Estrela

Participação voluntária
 

Com a atual realidade ambiental do semiárido nordestino e da Caatinga, a reserva Ecológica visa elaborar projetos de sustentabilidade que possam contar com apoiadores. Sendo assim, a participação do voluntariado indispensável neste projeto de preservação do Bioma Caatinga.

Para quem desejar conhecer mais sobre os projetos Reserva Ecológica Olho D’água das Onças é possível entrar em contato pelo email: reservaolhodagua@gmail.com 

 

Por Valécia Medeiros.